segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Fantasia e Ficção

Uma coisa engraçada tem acontecido comigo nesses últimos dias. Estive durante cinco dias na Lapinha, embrenhado na serra, para adentrar melhor no mundo do Espinhaço. Escrevendo um projeto que trata de um livro literário sobre o Espinhaço, fui ate ele visualizar como é realmente esse mundo. Antes de ir, em BH escrevi algumas paginas que me ajudaram a dar rumo ao livro. Nessas paginas minhas memórias me ajudaram a compor um pouco desse mundo, mas passar esses dias na serra me fez ver muitas coisas que não lembrava nem imaginava. Ver varias situações cotidianas, cenas e atos do povo, me ajudou demais a criar os vários personagens. Seus atos, suas roupas, seus costumes puderam ser melhor retratados, e algo estranho em meu pensamento ocorreu. De repente não consegui mais distinguir a realidade da ficção e entrei tanto em meu fantástico mundo que esqueci o quanto ele eh real. Ver e sentir os lugares que eu descrevi e no livro, me fizera pela primeira vez sentir de verdade a sensação de estar dentro de um. Me vi rodeado dos meus próprios personagens, dos meus cenários, que em minha cabeça formam um fantástico mundo mítico do Espinhaço. Escrever é algo muito gostoso e tem me feito bem. Quero agora poder seguir fazendo isso na vida, um hobby que levo, que espero que se torne mais que isso.

Viver a real fantasia é o que mais quero!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sobre o século XXI

Quando estava na 5ª série, em meados de 98, dois anos antes da virada do século, uma professora nos deu uma redação para fazer, cujo o tema era o sec que viria. O futuristico e inalcansavel secXXI. Em todas as minhas insipirações, eu não falei o que se tornou o secXXI. Século maluco, onde as mulheres governam os países, ondas de rádio estão por todas as partes, trazendo e levando informações das mais absurdas as mais importantes. Não existe mais telefone, existe pequenos aparelhos que enviam e recebem informação, msgs, fotos, musicas, ah e claro, da pra conversar com outras pessoas que também possuem esse aparelho. A internet, hoje faz parte da vida de milhões de pessoas, fazem regimes cairem, armas do povo. O futebol se vendeu totalmente, as pessoas cada vez se vendem mais, o Brasil é um país em acelerado desenvolvimento, mas isso apenas no sudeste, onde gritantes diferenças cada vez se tornam maiores. É complexo o ambiente, cada vez mais. Selva de pedra que se torna mais e mais competitiva, pois nunca nos perguntamos o porque de nossa vida. Vivemos o sec XXI, e nem sabemos. Hoje no futuro percebo como é dificil fazer previsões. O que será dessa decada que se inicia? Quanta tecnologia iremos ver? Quanta destruição, poluição e liquidação? É vem ai em alta velocidade, um trator destruindo culturas, e sendo unico. Sec XXI , a gente ve por aqui!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Candeias

O mato dentro derretia em um eterno pingar. Chovia a mais de semana, e a trégua era sempre passageira. Em casa, dona Luana guardava uns panos velhos, em sua pequena cozinha, onde um fogão a lenha queimava lentamente, aquecendo água para o café. Era um dia frio de agosto, e a chuva gelada, espantava todo mundo dali. Lugarejo pequeno em alto de serra. Candeias chama a atenção pela simpatia, e o isolamento. Povo insular. De alto de serra. Vivem em fim de estrada. Lugar último de chegar. Isolados pelo relevo e as vias, aqui quase tudo é produzido, para consumo mútuo. Candeias é lugarejo. Rua que sobe a ladeira, ladeada de casas, e no fim dela, há uma pequena igrejinha. Costume mineiro. Perfume de roça. Doce de leite com queijo, coisa que a gente gosta. Dá de lá ser longe da capital. Barlavento do Espinhaço. Povo insular, que respira a ultima brisa do mar. De lá não passa. Vira água. E cai. Candeias é quase submersa em chuva. Tempos e tempos de cercada por água. É assim, ilha. Mesmo tão longe do mar, respira a brisa marinha, no topo da serra. E dela se avista um grande vale, que passa embaixo. Em outro lado da vertente, a grande cara do Espinhaço. Subida bruta. Vale encaixado. Lá embaixo. Aqui no alto, chove sempre. E enche o córrego. E ai que mais se isola, no barro da estrada. Intransitável. Igual quiabo em matéria de escorrego. Ilha em meio a serra. Noite serena, em embalo de goteira. Um eterno pinga-pinga, que dura a noite inteira. Lugar tranqüilo. Remoto. Hospitaleiro. Lugar belo. Simpático. Mineiro.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Relatos de uma realidade distante

Faz tempo desde o ultimo inverno quando o frio castigou a nossa pequena vila. No alto da serra, em lugar quartzitico, o inverno é frio;seco ao anoitecer, orvalhado pela manha. É sempre dentro de nuvem. O cheiro do mato molhado, refresca as narinas, que de frio, soltam fumaças. Dentro de casa, um café acaba de ser feito, e o cheiro da broa assada, nos faz salivar. É tempo bom, de conversa em volta de fogão, de dormir de manta, embrulhado. Tempo de ver o céu em excesso de estrela. E em fim de tarde, uma aquarela em tons marrons. Antes do nascer do sol, é duro de se levantar, mas o trabalho tem de ser feito, não adianta de enrolar. Tem que tomar um café forte, com rapadura para adoçar. Na vila num tem comércio grande para comprar mantimentos sempre. Há sempre que se aventurar. Ilhados aqui no topo, tudo vem de mula, e com elas o preço do isolamento. Aqui tudo se torna caro, não porque nosso trabalho, árduo e criativo, seja valorizado. Não se dá valor ao sofrimento. Aqui se valoriza a distância. Aqui não há dinheiro que circule, nem o dinheiro tem coragem de vir. A travessia dura dias. Dependendo do tempo nem pode ser feita. Somos gente acostumada a isso. Um povo tranquilo, que luta todo dia para poder desfrutar de nossa nobre existência no paraíso. Aqui no alto é o paraíso. Não há tumulto, não há briga, nem discussão. Um povo que se faz familia. Uma familia que é o povo. E todo mundo se entende. Não há jeito de se ter rolo. Eu morador de nascença, trato então de declarar um apelo. Quero aqui me expor. É um problema, o tal do capital. Trata a gente mal. Explora demais. Em tempos de ilusão, morei lá na longincua e inconpreensivel, Capital. Homônimos coincidentes. Na monotonia do trabalho sem razão, em burocracias agressivas, resolvi de voltar pra cá. E cá tenho que dizer sem pensar. É o paraíso. E não há coisa melhor. Porque no frio da manha de inverno, o café e a broa irão sempre nos satisfazer, mais que qualquer coisa nesse mundo. Porque de costume de alto de serra, nós vivemo, e é assim que sinto-me feliz.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Desejos...

Sinto saudade do frio da serra. Do aconchego dos montes e das montanhas. Sinto saudade da energia corrente, fluindo em um rio que despenca em um desnivel e cai em um grande poço abaixo. Tenho vontade de morar no mato, no alto de uma serra, acorda com o frio matinal e ir dormir com as estrelas em meu telhado. Tenho vontade de nadar de braçadas em um belo lago dourado. Quero repensar meu modo de vida e viver em harmonia comigo mesmo. Sei que estou longe disso tudo, mas tenho esses desejos. Quero um dia morar em uma casinha de madeira e pedra, no alto de uma vertente, escondido do vento por uma pequena mata ciliar, que protege o pequeno corrego que traz água fresca para matar a sede. Quero poder ver o nascer do sol todo dia sobre as terras gerais. Quero um dia escrever histórias mil, e sonhar muito mais. Eis que um dia surtarei desta cidade. Nesse dia vou pra serra, pro mato, viver de verdade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Concret Jungle

Era noite no 2215D, um dos meus lugares movéis mais constantes na babilonia. Depois de um mês longe dela, e longe também de todo o caotico sudeste do Brasil, lá na mitica Amazônia, entra em um onibus e ver as luzes da grande avenida que esvazia o centro da cidade, me fez querer parar e descer. É demais essa sociedade. Assim como na amazonia, complexa e indecifravel, o homem transformou a sociedade dele, em uma cópia ruim da natureza. O mundo artificial de uma metropole, é de uma complexidade inatingivel. Essa 'natureza' dita artificial, é uma coisa muito dificil de se lidar, quando se passa tanto tempo fora dela. A cidade, assim como a natureza selvagem extrema da amazonia, assusta. Assusta porque o sons, os cheiros, as cores, são agressivamente repetidas. Cinzas concretados por toda parte, assim como o extenso verde amazonico. O som alto dos motores ensudercedores, assim como os milhoes de insetos que dominam o cenario noturno. Centenas de ligações entre pessoas, assim como as ligações entre os animais. Desde amizade ao predatismo. São mundos diferentes, vivemos na tecnocamada. Mas há uma pequena diferença. Quando a natureza nos ataca, sofremos muito. Quando a cidade nos ataca, também. Mas a cidade é uma criação nossa, não deveria nos assustar, ou nos atacar. Deveria ser o lugar mais tranquilo e calmo de todos, pois estamos totalmente longe da perigosa e vingativa natureza lá fora. A selva de concreto e asfalto, é cansativa, asfixiante, intolerante. E incrivelmente fizemos tudo errado. Nos escravizamos, e gostamos muito de desfrutar nossas férias, nosso tempo livre, lá fora, na natureza.

É o famoso paradoxo que vivemos hj em dia. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Amazonia

Estive um mês viajando pelo norte do Brasil, uma região surpreendente, muito diferente do sudeste, e das terras altas das Minas Gerais. Ao embarcar em uma jornada de conhecimento, e diversão pela Amazônia, percebi e descobri muitas coisas que eu nunca havia imaginado existir, nem nos meus maiores preconceitos sobre essa região. Pensar na Amazônia é algo incrível e estar nela mais ainda. A Amazônia não é um lugar comum, é um dos lugares no planeta terra que são conhecidos mundialmente por não só serem lugares belos, pouco habitados, mas por ser um macro universo, infinito a principio para nossos pequenos atos humanos. Assim como os Andes, o Saara, o Himalaia, a Amazônia é uma gigantesca área global que uni vários paises e ocupa quase metade do Brasil. Florestas equatoriais existem em todo o globo, mas a Amazônia é única! Conhecer os diversos sistemas que integram essa imensa área foi uma experiência muito boa. Ver com os próprios olhos o rio Amazonas, e subir mais de 2mil km de sua foz ao seu inicio como Amazonas, após o encontro dos rios Negro e Solimões, é a única forma de entender o que é o rio. Por mais que filmagens, fotos, e descrições possam te indicar e formar uma idéia em sua cabeça, ir lá e sentir a imensidão que é esse curso fluvial, te faz repensar em tudo que se tem aprendido sobre rios. Em muitos lugares e em outros rios como o Tapajós, o comportamento é marinho, de ambiente costeiro, litoral. Nada de barras arenosas e terraços, são praias e falésias. Não há como compreender a geomorfologia da região, sem tentar entender a magnitude da região.

Algo que me impressionou é a pequena alteração do espaço produzida pelo homem, uma vez que no sudeste ela já atingiu níveis que infelizmente impede de perceber como era o mundo original. Na Amazônia, o que impressiona, é que tudo é grande, tudo é muito, é um exagero. E o turismo impressionante que ela recebe, por ser uma área mundialmente conhecida e importante, faz de nos brasileiros, nos sentirmos importantes uma vez na vida. Ter a Amazônia em seu país, mesmo sem sermos patriotas nem nada, nos da a sensação boa de pertencimento a esse grande sistema. Por mais que os gringos venham aqui, e conheçam mais a Amazônia que os brasileiros, eles nunca saberão o que é pertencer a ela. Não tenho nada com a Amazônia, nunca morei, nem minha cultura é parecida, mas lá me sentia em casa. Sendo brasileiro, todo mundo te trata bem, é o mesmo sangue, a mesma pátria. Fiquei vários dias em uma casa em Alter do Chão, onde os moradores, Pinto e Antonia, me contaram muito sobre o lugar, sobre as lendas amazônicas, do oeste do Pará. Como disse, uma coisa é você ser um gringo e entrar na mata, sabendo que tem cobra, aranha, escorpião, onça. Outra é você ser um morador, ou um turista como eu, e entrar na mata sabendo que tem Curupira, Mapinguari, Jurutinga, os magos e bruxos que vivem embrenhados na mata. O folclore e as lendas, instigam a imaginação e transforma a mata em um lugar de muito respeito, medo, e cuidado. Essa experiência foi algo que um gringo não passaria, e temer o inexistente, é mais legal. Ficar com receio do boto, não nadar em igarapés ao meio dia, são costumes que nos fazem pensar e não agir da mesma forma, mas com uma cautela psicológica. É uma diversão pensar na cultura local e se inserir nela, pois já ouvimos histórias quando pequenos, mas eram sobre seres mitológicos que habitavam os nossos vales e montanhas. Ouvir as lendas de uma floresta que impõe respeito é algo muito legal.

A Amazônia é um mundo de agua, e os meios de transporte são todos sobre ela. Se tiver um carro, venda-o e compre um barco. Será mais útil em um lugar em que as estradas mal existem, e os caminhos são feitos pelos rios. É uma cultura diferente, muito diferente da nossa longe do mar e dos grandes rios e lagos. Aqui vivemos a solidão dos montes e grotas, lá se vive em meio a um sistema vivo que te faz sentir minúsculo. O pescado, açaí e a macaxeira são as principais fontes de alimento, cultura indígena, e que alimenta bem. Cultura muito diferente, mas o Arroz e o Feijão ainda imperam na base alimentar, porque a Amazônia é Brasil. E ser Brasil é algo que te faz sentir importante como disse no começo, porque toda a historia que ouvimos sobre ela, é apenas um pedacinho de toda gigantesca realidade. E pra conhecer a Amazônia, tem de se andar, nadar, e vivenciar. Anos seriam necessário para se ter noção do que é realmente essa região, mas nessa voltinha que dei, já descobri muitas coisas. Voltarei lá porque é um local no mundo que tem que se conhecer, sendo brasileiro então, é uma obrigação.

Ah e ela nunca vai acabar, ahaha...mas falando sério, a gente aprende que a Amazônia ta sendo destruída, e na nossa concepção de mata, parece que ela vai sumir amanha se cortamos uma arvore. Os urbanos que acham que a Amazônia é igual o parque municipal, não têm noção do que ela é. Não é algo que ira se dizimar assim, primeiro porque não estamos mais em 1500, e a mentalidade da preservação já existe. Apesar de que essa mentalidade é muito mais urbana de centros distantes, do que da própria região. A ligação com a preservação é uma características mais de centros que já destruiriam tudo em volta, do que de um lugar que ainda possui inúmeros lugares intocados pelo homem. Mas não esperem ela acabar para ir lar conhecer, pois a facilidade de dar role e conhecer, é grande, mais do que imaginamos. O sertão está em todo lugar, e a Amazônia é um gigantesco sertão que vive no imaginário do mundo todo, com um lugar raro, remoto, e que esta acabando. Mas ela não está, é só curtir e visitar, não precisa levar nada de lá, é tudo nosso.