segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sindrome do Balai

Na rua parado,
Aguardando o inevitável,
O atraso programado,
Para irritar o atrasado,
Que desistiu de pegar o balai,
Por achar que já tinha passado.

Na rua correndo,
Atrás do balai sem identificação,
Leds apagados 
E ninguém sabe qual o numero do busão,
Correndo até o ponto,
Em vão,
Passou cheio e lotado,
Mais 40minutos de tortura
A espera da próxima máquina
Pra nos levar até a estação.

Na estação caótica,
O shopping acima ilustra
Toda essa contradição
,Enquanto lá embaixo o povo se enlata,
Lá em cima compra no cartão.
Pra desestressar consumindo,
O que o nos fez o onibus sofrer,
Esperando no calor do inferno,
Feito para nos entristecer.

Na rua o balai passa,
Lotado, apressado,
Caro.
Pulara roleta não é antiético,
É necessário,
Afinal se quem perde é o empresário,
Então é mais que aceitavel,
Não paga-lo!

Pulei a catraca do 2215D
Disseram preu descer,
E eu respondi:
Porque?
Não me responderam,
Afinal ninguém saber o motivo
De pagarmos por um serviço
Que se diz público...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caminhos

No caminho a estrada,
Velha companheira de quem quer seguir pro longe.
E no distante da cama de casa,
A beleza da saudade nos mostra a leveza da linha do horizonte.
Parada, 
Eterna linha que corta os montes,
E nessa busca por um lugar de morada,
Não percebemos que a morada é o nosso querer.
O caminho só é comprido,
Para quem tem pressa de percorrer.

Leva nois Brasil!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Poética da Vida

"Na vida o corpo frágil
Ergue-se como uma estátua de mármore,
Na esperança da consciência
De se tornar imortal.

Em meio ao caos,
O corpo reúne os sentidos,
Máquina de interpretar
Um pouquinho de realidade.

Materialização do contexto,
De vontade e necessidade,
Saciar o impossível,
A imortal ansiedade.

De viver o divino,
E o divino ser,
Pois a realidade divina,
É a divina forma de viver.

Em busca de paz,
Para o corpo lhe agradecer,
Com saúde e inteligência,
Para seu espírito nunca morrer.

E a palavra e o caminho,
Quem irá percorrer?
Sozinho em teu destino,
Só você pode te socorrer.

Sem trégua do tempo,
Mas com o tempo a favor,
Compreenderás o teu papel na terra,
Reproduzindo a paz e o amor.

Pois o homem é coletivo,
União de energia que se percebe,
E leva além do cotidiano,
A fé que em tudo permanece.

E a vida se torna feliz,
Como na Bela Adormecida,
Ao acordar do longo sono,
Da ignorância que lhe prendia.

E compreendendo nosso papel,
No contexto de toda existência,
Valorizará teu corpo,
Pela dura permanência,

Nesse mundo confuso,
Que parece ter sido dominado,
Por todas as forças do mal,
Que dizem trazer o legado.

Mas o amor e a coletividade,
Frutos de um novo século
Será a energia da mudança,
A força sucumbirá ao intelecto.

Não haverá injustiça,
Onde houver lealdade,
A liberdade será de pensamentos,
Para evoluir toda a humanidade.

Num sonho inteiro conjunto,
Entre todos os humanos,
E ninguém viverá de esmolas,
Nem de desenganos.

Não será um novo Messias,
Nem o próprio Deus vivo,
A humanidade irá mudar,
Quando perceber tudo isso.

E Se perceber,
Questionar seu louco papel,
Ao invés de querer procurar,
Um caminho que lhe leve ao Céu.

Pois paraíso melhor que a Terra,
Deus ainda não nos ofereceu,
A tecnologia nos trás a possibilidade,
De curtir todo o seu apogeu.

E nos permite viver aqui,
Nesse maravilhoso planeta,
Que flutua nesse universo,
Tão cheio de belezas.

E a natureza que nos remete a Deus,
Também nos mostra o caminho,
O equilíbrio é a melhor reposta,
Para os tolos que vivem sozinhos.

Nessa experiência de vida,
Nesse mundo material,
Acreditando em nosso corpo,
Como uma divindade imortal.

E esquecendo de nossa saúde,
De nossa necessidade intelectual,
Indo ao ridículo,
De quase morrer no sinal,

Implorando uma ajuda,
Uma necessária esmola,
Para no fim do dia,
Compra para os filhos a cola.

Que usam para sair da escola,
Pois já diria o ditado,
Quer cola,
Pede esmola.

Na porta pela frente o caminho,
O medo de viver sozinho,
Sem encontrar em seu destino,
O lugar mais desejado.

O erro de nós humanos,
É querer ser imortal,
No momento errado.

A vida é o maior bem,
Que existe nesse universo,
Pois pense mais além,
E se perceba nesses versos.

Um monge medita na montanha,
Tamanha sensação de liberdade.
Quantas vezes já sentiu,
Em toda sua força a realidade?

Esquecida em meio ao trabalho,
No ônibus e na sociedade,
É esse o cotidiano,
Dos humanos nas cidades.

Sem o lado da fé,
Perdidos na materialidade,
Esqueceram que só existe um caminho,
A transcendência permear a realidade.

Para que todos os homens,
Compreendam suas necessidades,
E assim poderem viver,
Com um pouco mais de tranquilidade.

A ciência é o paradigma do erro,
Pois exclui a ideia de saudade,
Afinal pra ciência,
Vocês só perderam a afinidade.

Não importa o tempo,
Muito menos a idade,
Pra ciência o necessário,
É impor a verdade.

De que somos macacos,
Os tal sapiens sapiens,
Menos peludos e incompreensíveis,
Que os macacos da cidade.

Oh pai me proteja,
De toda essa maldade,
Desse século vinteum,
Cheio de improbabilidades.

Afinal a vida é curta,
É caminho e passagem,
Através das experiências,
Que nos levam a eternidade!"

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O preconceito e o homem do saco


Essa história aconteceu há alguns anos atrás no meio da década de 90. Eu tinha apenas seis anos e estava na casa de um coleguinha quando resolvi voltar para casa pois já era hora da minha mãe chegar do trabalho. Despedi dele e de sua mãe e desci pulando as escadas do prédio. Cheguei no portão naquele horário de fim de dia, em que já tá escuro e as luzes ainda não foram todas acesas,  e dei de frente com um vulto parado bem na saída do prédio. Logo fiquei assustado e na minha cabeça infantil aquele vulto negro na porta só poderia ser o homem do saco, que na minha imaginação era um mendigo. Fiquei apavorado com medo do homem me levar embora para um lugar onde ninguém sabia , e voltei correndo para o apartamento do meu coleguinha subindo as escadas em desespero. Cheguei branco e sem conseguir falar direito, e quando a mãe do meu amigo me viu ficou muito assustada. Perguntava enlouquecidamente o que tinha acontecido e eu só consegui responder:
- Eu vi um mendigo!
Ela nem quis saber aonde e já entrou num pânico paranóico, pois naquela época selvagem a rua deixara de ser um bom lugar e havia se tornado perigosa cheia de pivetes e moradores de rua por todos os lados. Era o cumulo pra ela que houvesse um mendigo na porta de sua casa, e logo saiu do apartamento e foi até a vizinha. Chamou na porta e uma senhora apareceu vestida com um avental, e quando ficou sabendo do ocorrido, mudou de cor na hora e em tremedeira teve de se sentar. Comecei a ficar com mais medo ainda, afinal ver os adultos tendo aquelas reações só poderia significar que era algo muito grave. Em pouco tempo todos os moradores do prédio estavam reunidos na sala da senhora de avental e tagarelavam em descordo sobre o fato, uns dizendo se tratar de uma invasão, outros do fim da privacidade, alguns queriam descer e bater no coitado do mendigo e por fim no meio de toda algazarra a policia foi chamada.

Cinco minutos depois a policia chegou no prédio e tocou no apartamento. Queriam saber o que estavam acontecendo e onde estava o mendigo que tentara invadir o prédio. Os moradores foram descendo bem devagar até o portão e quando chegaram lá não havia mendigo nenhum. O policial sem entender nada perguntou se ele não havia pulado o portão, ou fugido, e nesse momento os moradores perceberam que eles não sabiam realmente se o mendigo estava ou não no portão. De repente todos viram que tinham sido enganados por uma criança de seis anos, e acharam que era uma brincadeira minha. Foram enganados pela imaginação infantil e com o preconceito enraizado na alma, não pararam para ver que tudo aquilo só aconteceu porque tiveram medo de outro ser humano. Mas naquela noite ninguém havia pensado nisso, só eu que passei ela em claro, pensando no ocorrido ali de castigo no meu quarto.

terça-feira, 7 de maio de 2013

E o blog!?

Tá, eu sei que o blog ta parado, mas é que o autor está passando por uma mudança drástica de paradigma. Volto em breve com muita maluquisse nova ai pra gente se divertir de escrever!!!

terça-feira, 19 de março de 2013

Por um mundo além das Notas ou Escambo Livre


Ali parado em meio ao caos do trânsito, com um pneu furado e sem experiência alguma em trocar pneus, surge uma boa alma que me ajuda com o que sabe. Era um ex-borracheiro que vagava pela cidade, em busca de alguma solução para a vida que parecia ter tirado todas dele. Ali cercado por homens invisíveis, na hora do rush e sem perspectivas, um homem aleatório que não tinha nenhum motivo para parar, me oferece ajuda e me tira daquela situação chata de ter se tornado refém do carro. No fim de tudo, antes de ir ele sugere uma gorjeta, mas eu sem dinheiro só tinha pizza para retribuir. E ficou nisso, dei uma pizza para ele dar pros filhos comer em troca do esforço na troca do pneu. Nada mais justo que trocar o meu trabalho pelo trabalho dele, e a troca sem necessidade de dinheiro se fez incrivelmente simples e todos saíram ganhando. Às vezes penso realmente que a economia baseada na troca e na honestidade consigo mesmo é uma das soluções para essa crise capitalista em que o valor do dinheiro não existe. E já que não existe, porque não trocarmos nossas habilidades sem necessidade de concorrer? Que tal trocarmos nossas habilidades para nos ajudar a crescer enquanto espécie e acabar com essas ridículas formas de ostentação? O caminho as vezes parece repleto de obstáculos, mas sempre tem alguém ali disposto pra te ajudar, e se você também está disposto a ajudar alguém, ai o ciclo se retroalimenta e podemos viver tranquilos, pois saberemos sempre que teremos alguém ali na esquina caso tenhamos necessidade. Num mundo onde a troca se perdeu no irrealismo do papel moeda, o escambo livre se torna uma boa opção.

E você, pode ajudar como?

segunda-feira, 4 de março de 2013

Bem Vindo a Bhbilônia

Bem vindo a Belo Horizonte nesse inicio de seculo XXI. A cidade está empoeirada nos desculpem, mas é que estamos trabalhando eternamente sem saber porque ainda, mas trabalhandos arduamente para isso. Se você não se importar, o transito deixou de existir e se chama engarrafamento, e nós seres que nos adaptamos a tudo, inventamos o ar condicionado e o mp3 player. Se precisar, crianças estarão nos sinais vendendo água para que você possa se refrescar. Não se assuste se não encontrar nenhum rio visível  mas é que cobrimos ele para que você possa estar parado nesse engarrafamento. O topo da montanha? Não, não precisa ir lá, alias se quiser custa R$15,00, e sugiro não ir para não ver o tamanho da encrenca em que nos metemos. Se mesmo assim insistir em subir a montanha, sugiro que faça rápido então, antes que as mineradoras acabem com elas. É costume por essas terras, afinal temos a alcunha de mineiros. Não se importe se acaso houver uma manifestação acontecendo pela cidade, elas são normais, fazem parte da cultura do povo achar que está tudo ruim. Mas logo passa, é só deixar a moda acabar. O senhor quer comer alguma coisa? Ora, que magnífico, nossa culinária é uma das melhores do mundo, e por aqui se andar pelo centro da cidade irá encontrar inúmeras lanchonetes. Hum você não come pastel? Nem nada frito ou coisas gordurosas? Ora mas também, você está sendo muito exigente. Vamos então a um bar onde tem comida de buteco, coisa boa de minas. A você não bebe? Bem, então que raios veio fazer numa cidade alcoólatra  Meu senhor veja bem, nossa cidade não tem mar, não tem rio, não tem mata, não tem mais a serra, nada mais restou de natureza. Mas em compensação somos a cidade no mundo com a maior concentração de bares , o que é uma honra para os alcoólatras  Pense numa cidade onde a cada três comercios um é um buteco! Você ainda insiste em querer ir a um parque. Bem, já se passaram das 17h da tarde e todos os parques foram fechados. É costume daqui, descobriram que se os parques estivessem abertos, os bares ficariam vazios. Mas nossa cidade é acolhedora, vamos, vou levar você ao meu condominio de segurança máxima. Veja que bonito, juntamos milhares de pessoas em um pequeno espaço e empilhamos uma sobre as outras. Elas acham lindo a vista do apartamento do lado, nunca as vi reclamando. Você procura uma casa simpatica? Bem vamos então a periferia distante, onde o mercado imobiliario ainda não chegou. Ixi, acho que me enganei, só os milhonários permanecem em boas casas, mas isso não é um problema nosso né, convenhamos que o povo parece criança e se nós os donos da cidade não temos que ensinar todo mundo a construir uma casa decente. A parte histórica? Beagá é a história moderna, nada aqui é velho, se quiser velharia tens de subir as montanhas até Ouro Preto, mas lá é tudo mofado, melhor é ir na lagoa da Pampulha ver as modernas instalações do Mineirão. Há não tem nenhuma árvore e o senhor não quer o Sol te incomodando? Bem aqui no Mineirão não vai ser possivel resolver, mas você pode ir lá pra orla quem sabe. O cheiro te incomoda? Mas que sensibilidade olfativa é essa meu caro senhor. Você deveria fazer como nós, que de tanto respirar poeira com fumaça automobilistica, perdemos nossa sensibilidade olfativa e alias estamos sempre com os narizes entupidos. Coisa de gente de boa saúde dizem aqui nessas áreas. Ora, o senhor que ir embora daqui já assim tão rápido? Mas você nem tomou uma cerveja nem comprou uma cachacinha no Mercado Central! É mesmo, esqueci que você não bebem. Pois então sugiro que saia por agora, pois daqui até o aeroporto são pra mais de 2 horas de viagem, melhor não dar mole e não perder o voo. Bem até mais senhor, espero que tenha gostado da visita, os belorizontinos agradecem a visita, e esperam que você retorne um pouco mais alcoólatra para aproveitar mais a cidade.


Duas horas depois:

Alo!? Perdeu o voo? É falei para não ir pela linha verde, ia tá com certeza garrada...