quarta-feira, 30 de março de 2016

Da dialética da negatividade a estética da incerteza.

A crise se dá pela dialética, Hora pesquisador, Hora poeta. E a métrica!?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Trem do Fim do Mundo

No cambalear noturno sob a luz laranja fria e nua, como a única tonalidade das noites nas ruas, desviando dos vultos que se insinuam na frente de quem sob o efeito de tanta cachaça, começa a desperceber.

E num canto amontoado, entre tribos e estados, um senhor vestido de retalhos, sai de sua morada, arquitetura da gambiarra, fazendo ali no centro sua quebrada. Olhou pra mim com seus olhos em brasa e disse bem assim:

Moço,
Que que eu fiz moço?
Pra ter esse desgosto de ninguém me enxergar.
O governo me desumanizou,
Ao da minha casa me expulsar.
Sou o excedente humano, moço, destinado a fracassar,
Para que a estupidez capitalista, possa continuar.

Agora eu lhe digo moço:
Tem como desse jeito sem jeito o mundo ficar?
No meio de tanto receio de se libertar,
Nos contentamos com o horário do recreio,
Vinte minutos pra extravasar.
Depois voltamos pra cela, sala, escritório,fábrica,balcão,cozinha,banheiro,faxina,empregada,vizinha,sozinha,ignorada,drogada,calada, caída, na cama, na vala.

Moço! eu sou igual ao mundo todo.
Fadado ao fracasso,
Invisível aos outros,
Atordoado,
Silenciado,
Parado.
Calado!

Olha pra mim moço,
O senhor me vê!?
Então me diz,
Comé que nós vamo fazer,
Pra acabar com  capitalismo,
Que criou esse abismo,
Entre eu e você!?

Tá vendo ali moço, é a luz no fim do túnel.
Mas olha só procê vê,
Que a luzinha não é a saída,
É o Trem do fim do mundo. Que vai vim pega ocê!



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Do Silêncio!


                Shiiiiiiiiiiii!!!
Um minuto de silêncio.
Esse é o tempo,
Que as mulheres tem pra dizer.
Uma vida em silêncio!
Shiiiiiiiiiiiiiiii...
Pro marido não lhe bater!

Não bate nela, Não bate nela, Não bate nela!!!

Eu ouvia todo dia o filho do vizinho gritando pela janela.
Tapa na cara, chute no chão.
Noutro dia vela, velório, caixão.
A família inteira em prantos,
A vizinhança chocada.
A violência contra mulher vista apenas como estatística,
Fica banalizada,
Então tens de se dizer na lata,
Mas oh... silêncio!
Tá escrito ali na placa.

Uma arma em casa,
Um homem traído se revolta ao ver a mulher amada,
Na cama, com outro cara.
Naquela hora desesperada,
Pega a arma, coloca a bala,
Caminha em desalento frustrante,
Esquecendo que após a ação adiante,
Não poderá voltar atrás.
Um movimento em falso.
Tum!
Nos jornais,
Noutro dia,
A manchete estampada dizia:
Corno descobre traição e mata a vadia!

Na vida real não se encena a cena,
Mas quantas vezes ela não se repete?
Então desligue a teve,
Pois o datena só tem a lhe vender,
O ibope da morte que lhe faz temer,
E com medo a violência só tende a crescer,
E o amor meu amor, onde será que está você?
Não aguentei a dor de te perder, e fui pra cima de você  meu amor.
Porque você deveria ser única e exclusivamente minha,
Sua cadela, sua safada!
Você nunca mais será por ninguém amada!
Minha amada...

Teu sangue vermelho derramado no chão,
Fruto desse maldito dogma de nossa civilização,
A sociedade do ter,
O egoismo latente,
O individualismo estúpido que transforma outro ser humano,
Num diferente,
Como se isso fosse o suficiente,
Para atacarmos o próximo.
Sem saber reconhecer que o verdadeiro inimigo está dentro de nós.
E que nessa guerra contra o ego lutaremos sempre a sós.
Mas nunca,
Sozinhos!

Por isso, o pão nosso de cada dia multiplicai-vos hoje.
Pois se dividirmos o pão,
Ninguém ficará com um bom bocado.
Mas se cada um trouxe o seu pão,
Ai então,
Teremos um banquete,
E sairemos todos contentes,
Completamente extasiados.

Na sociedade do não me toque,
Eu exijo um abraço!
Uma vez que imersos na virtualidade,
Abandonamos o tato.
E sem tato,
Não há contato,
E sem contato,
Não há humanidade,
E sem humanidade,
Só há,
Silêncio!



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tic Tac ou Dois Mil e Quatorze Depois de Cristo

Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,

Num pedaço de espaço,
O tempo é registrado pela dança dos átomos,
Que a consciência interpreta como matéria.
Iludindo-se ao procurar respostas para todas as perguntas eternas.
De onde viemos?
Quem somos nós?
Por que raios estamos vivendo essa vida em meio a tantas guerras?
Se há paz em algum local,
Se tornou rara;
O que é interessante para o capital,
Afinal é preciso que ela seja cara.
Mas a paz comprada,
É a ilusão mor de nossa estúpida sociedade armada.
Que mata, mata, mata,
Sem saber porque faz.
Culpa a bíblia, o mal, satanás.
E se esquece que a indústria da violência exige que se mate cada vez mais.
Dá lucro vender a bala, a arma, e a lápide onde jaz.

Temei irmãos, Temei!
Temei ao próximo como a ti mesmo!
Diz o espelho,
Refletindo por inteiro,
O seu maior medo.
O rosto deslocado do padrão estético.
As medidas corporais maiores que as permitidas pelo Inmetro.
O coração isolado sem ninguém com quem conversar por perto,
O jeito então é se drogar
Engolindo uma dúzia de remédios.
E no auge da overdose de bulas,
Grita para o vizinho que um dia irá dizer a todos aquilo que no fundo sente.

Ainda grogue,
Cambaleia até o banheiro,
Abre o chuveiro,
Molho o corpo,
E mente!
Mente para si mesmo,
Dizendo para o suor dos azulejos,
Que ninguém terá o direito,
De dizer qual será sua aparência,
Nem menosprezará suas crenças,
Por que no fundo de nossa alma,
Há toda a energia do Universo,
Que nos catapultou,
Nessa existência,
Sem nos dar a bendita paciência,
Necessária para existir!

Aliviado por um instante,
Sorri,
Rasteja até o quarto,
Mas do chão a cama,
E deita,
E dorme,
E sonha...

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmm
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmm

Estuprado pelo tempo,
Escravizado pelo argumento de que a vida é isso mesmo,
Levanta em desalento em mais um dia de sofrimento,
Nesse convívio autista,
Esperando que no fim da missa o messias volte para lhe salvar,
Do apocalipse capitalista.

Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,
Tic Tac,



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Sindrome do Balai 2

Pulei a catraca do BRT
Disseram preu descer.
Eu respondi, PORQUE?
Não souberam responder.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Carta ao Conservadorismo dos anos 10 do século XXI

Tá certo, vou só considerar sua palavra porque tenho admiração por pessoas que tem coragem de dizer coisas tão incrivelmente fora do senso arquétipo de realidade e do conceito universal de bom senso né? O limite entre o absurdo e o inaceitável já se rompeu a algum tempo, e por isso ei de querer a fala nesse instante para expor com toda indignação possível, o que seu comentário causou em minha alma e espírito:
-Pois bem, é isso, você está dizendo que a criação do universo, todo o processo que não conseguimos fazer a menor ideia, toda a evolução escalonar do tempo e do espaço na construção deste universo de possibilidades que ao que entendemos é criado por nós mesmo na nossa percepção de realidade e possibilidade de interação com as ondas de outras realidade, ou mundos supramentais, e que nesse contexto de universo imerso em um planeta que evolui geobiologicamente a 4,5bilhões , e que nos últimos cem mil anos viu surgir uma criatura viva que evoluiu ao ponto de conseguir interagir conscientemente com a consciência universal que possibilita a materialização do espaço como conhecemos, e da eterna sensação de movimento retilíneo continuo do tempo,  ao qual assim como o movimento aparente da Terra, dificilmente conseguimos abstrair para compreender de fato, imagina meu deus, que depois de todo o processo de domínio do fogo e de toda evolução física e intelectual que este fato causou nos seres humanos, e que nos trouxe hoje ao domínio dos elétrons que escravizamos em placas feitas com material criado na explosão das estrelas, que separamos e transformamos em placas de silício, na qual distribuímos descargas elétricas em espaços de tempo binários que são convertidos em toda a tecnologia digital desta revolução que vivemos, e que ainda não fazemos ideia de onde vai dar, e que pode nos salvar de toda perversidade do modelo de sociedade que estamos vivenciamos nesse inicio do processo evolutivo do homem; afinal da materialização da ideias na consciência em um pedaço de papel utilizando símbolos, temos só dez mil anos de experiência. A sociedade que nos ilude com a mecanização do tempo, nos fez perder a capacidade de perceber o futuro e o passado, e sempre julgamos o passado ser mal e o futuro bom e o tal presente ninguém consegue pensar porque estão abstraído do real na condição de robôs. No meio de todo contexto humano de (re)evolução, no meio da crise caótica do fim de um ciclo que atingiu o domínio completo do globo terrestre, você me vem com a proeza desse pensamento insanamente de que minhas ideias são impossíveis de serem realizadas porque estou sendo utópico, e você defendendo a reforma do modelo atual, que é impossível de ser reformado, e que diz ser contra a mudança do momento atual por estar acreditando numa possível melhora de vida num sistema fadado ao fracasso. Meu senhor eu preciso dizer: No tempo das cavernas, quando os homens ainda temiam o fogo, quem meu caro, quem foi o primeiro ser humano a ter a enorme disposição de encarar de frente e a domar o elemento mais volátil de todos, quem foi meu caro? Com certeza você com seu pensamento, deve ter sido contra a coragem daqueles que ousaram ir contra todo o paradigma época, e ao invés de esperarem o fogo surgir, quiseram aprender  a controlar o Fogo.  Saia da caverna. Busque não só a razão, busque a luz, que a princípio vem de você, e não mais defenda a ideia de continuidade do que não tem como continuar. Adeus.

domingo, 6 de julho de 2014

Do amor nestes tempos destemperados

Nas amarguras do coração partido,
A memória recriando teu riso,
Teu cheiro eu me lembro no improviso,
De querer acreditar que toda a história não se deu por terminar.
E passam os dias e as horas,
E quanto mais passa,
Mais vontade de reviver o passado se dá.
Mas o quanto vale meu amigo,
A liberdade de poder se gostar?
Os dias passam arrastados,
Quando não se pode caminhar,
E olhando para o passado,
Não sabemos aonde iremos chegar,
Amor é sentimento puro,
Difícil de se alcançar.

Nas noites nas cidades,
Saímos em busca de nos apaixonar,
Nas ilusões do amor a primeira vista,
Pois o amor é mais que o olhar,
É a troca afetiva de energias,
A deliciosa sensação humana de se deixar levar,
Nos braços de outro ser humano,
Que nos deixa extasiados ao nos apaixonar.

Será que vou na busca de outro amor,
Ou deixo ele me conquistar?

Será que eu aceito o fato,
Que preciso primeiro me amar?
Ou desisto de tudo e do tato,
Do beijo, do carinho e do abraço,
E de todo tipo de ato,
Que eu procuro encontrar?

Será que realmente sabemos,
O que estamos a procurar?

Sozinho na noite observando,
A beleza arquétipa exemplar,
Nos ensinada como padrão estético,
Ao qual devemos nos enquadrar,
Percebo sorriso vazios,
Olhares sem se olhar.
Uma vontade de conhecer,
Mas muito receio de se conversar,
Porque o mito do príncipe encantado,
Pode um dia se concretizar,
Mas enquanto o príncipe não aparece,
Porque agir como as princesas a esperar?
Isoladas em seus castelos do ego,
Amarradas ao patriarcado milenar,
Que oprime o contato humano,
Com o receio de se amar.

Espere princesa,
O príncipe está indo te buscar.
Com toda dedicação,
De um marido exemplar.
Mas a doce e maior ilusão,
É a de que ao invés da boa comunhão,
Entre humanos a se amar,
A armadilha do coração,
O faz sempre acreditar,
Que o amor vai surgir do nada,
Sem você se esforçar.


Amar não é tão simples,
É uma ferramenta evolutiva que permite a consciência transcender ao simples ato de procriar.
O amor é a intervenção dos deuses,
A dádiva mor do universo,
A energia primária que movimenta tudo,
Convertida em sentimento humano puro.

Nas noites no parque,
Nunca serei o príncipe encantado,
Talvez pela necessidade de amar,
E também de ser amado.